Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 10/09, realizada pela AmericaEconomia Intelligence (AEI), por encomenda da Visa, aponta um cenário bastante favorável para o desenvolvimento do comércio eletrônico varejista (B2C). A AEI analisou o grau de maturidade em que se encontram 18 países da América Latina e Caribe em termos econômicos e tecnológicos para fomentar o e-commerce.
Batizado como e-Readiness B2C, o estudo revela que a América Latina tem um índice de preparo de 26,2 em relação ao registrado pela Espanha (base 100) em 2005. A AEI utiliza a Espanha como parâmetro por considerar as características deste mercado mais semelhantes às dos países latino-americano.
“Os Estados Unidos são o outro país que poderíamos utilizar como parâmetro, mas eles estão atualmente muito à frente da situação vivida pela América Latina”, explica Guillermo Rospigliosi, vice-presidente de produtos para a América Latina da Visa.
Este indicador, que em 2003 representava 21 pontos, cresceu 24,7% em quatro anos, e deve melhorar outros 3,8%, chegando a 27,2 em 2008, leva em conta itens como Acesso Digital Básico (36,7%), Posse de Tecnologia Digital (34,6%) e Renda e Bancarização (28,7%).
O primeiro item leva em conta as variáveis penetração de banda larga, de telefonia fixa, de computadores e o preço do acesso à internet. O segundo considera a penetração de internautas, de telefonia móvel, de e-consumidores e a porcentagem da população de 25 a 35 anos de idade, e, finalmente, o item Renda e Bancarização possui como variáveis o PIB per capita, o nível de penetração de cartões de crédito, de caixas eletrônicos e de e-commerce.
Com índice de 42,5 pontos, o Brasil aparece na segunda colocação do ranking de países latino-americanos mais preparados para a evolução do e-commerce, ficando atrás apenas do Chile (47,4 pontos). Segundo a AEI, o índice brasileiro é sustentado principalmente pela força dos indicadores de acesso digital básico, que explicam 46,1% do resultado, porém, com alguma debilidade nos fatores de tecnologia de posse digital. Por outro lado, no entanto, o Brasil ostenta o recorde de bancarização regional, com uma penetração de cartões de crédito de 46%.
Embora sete milhões de consumidores virtuais seja um número elevado (a maior população de e-compradores da região), ele ainda representa somente 3,7% da população brasileira. Mais do que isso, responde por somente 28% das pessoas que utilizam o internet banking no País. “O Brasil tem excelentes oportunidades. É preciso trabalhar para que esses usuários ganhem mais confiança nos meios de comércio eletrônico”, afirma Eduardo Chedid, diretor executivo de produtos da Visa Brasil.
“A barreira da falta de segurança, bem como os mitos relacionados a ela, será vencida fácil e rapidamente, uma vez que mais de 50% da população brasileira tem hoje entre 25 e 35 anos de idade”, avalia Stelleo Tolda, diretor geral do Mercado Livre no Brasil. “É uma geração informatizada, que, juntamente com ações de aculturamento e educação, ajudará a vencer esse obstáculo”, completa o executivo.
Apesar dos fatores favoráveis à evolução, Gersom Rolim, da Camara-e.net, alerta que o ‘apagão digital’ vivido por são Paulo, em julho passado, é um claro sinal da necessidade preemente de investimentos na ampliação da infra-estrutura digital disponível para suportar o crescimento do e-commerce.
Fonte: Convergência Digital
Publicado por: Micheli Consani